Antes do Nome
Inês Fialho Godinho
O método criativo praticado pela Inês Fialho Godinho, recai nessa forma de pensar, distante da nostalgia e do saudosismo. Distingue-se por ser um exercício que evoca um espírito livre. Ora é rebelde, ora é delicado, atento mas reguila, e que desbunda por tudo quanto é canto. Uma perspetiva radiante de quem observa o seu redor e é capaz de transformar um sentido objetivo e pré-estabelecido numa nova possibilidade. Aquilo que nos dizem que é ou deixa de ser, é desafiado a transfigurar-se em algo mais aparentado com o sonho, sem eficiência na mira, mas no caminho para uma ressignificação.
Inês escreve nas suas notas:
“Nem tudo tem de conduzir a um fim, posso apenas deslocar, desmontar, brincar, só mais uma metodologia incompleta e aberta.”
A sua criação artística serve-se dos espaços sociais que frequenta: feiras, ruas e esplanadas; assim como em brinquedos e objetos que, quase arqueologicamente, encontra nos arrumos da casa dos seus pais ou, de outras coleções que posteriormente manipula até ao limite da sua integridade funcional”, nutrindo a formulação do seu cosmos. Inês, através desta coleta de expressões e artefactos, alia assim uma forte conexão com a ideia de anarquivismo – pois manifesta a vontade de desconstruir e reformular uma narrativa da sua memória e afetividade. Um género de portal que permite revisitar e reinventar os sentidos.
Samuel Rego (Arquivo DNA)
Bio
Inês Fialho Godinho, 1997, Cascais.
Tirou Realização Plástica do Espetáculo na Escola Artística António Arroio, licenciou-se em Artes Plásticas e Multimédia na Universidade de Évora e frequentou o primeiro ano do mestrado de Gestão Cultural na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha. É membro e co-fundadora do Porvir Coletivo. Trabalha como artista visual e produtora/mediadora cultural.
Gosta de ouvir conversas de estranhos nas esplanadas e colecionar coisas sem grande valor de mercado.
Fotos: André Cruz e Miguel Tavares
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