Outlets
Vitor Israel e Lorenz Helfer
Outlets resulta do trabalho desenvolvido por Lorenz Helfer durante a sua residência nos ateliers da Rua do Sol, em diálogo com a produção mais recente do artista Vítor Israel, membro do ""(((colectivo)))"" desde 2015.
Um é louro o outro é moreno. Em termos de compleição física, são de estatura aproximada, o mesmo se pode dizer da idade - poucos dias separam o nascimento de ambos.
Ao longo dos últimos meses, entre cigarros e cafés partilharam ideias, conversas sobre amor, arte - as alegrias e os dramas da vida (ou vidinha, como lhe quiserem chamar). Somaram-se as referências em comum assim como alguns canais de entendimento em matéria de criatividade, sendo a paixão pela Pintura enquanto disciplina artística o maior e talvez único assunto de que trata esta exposição.
Outlets é o seu título, palavra em inglês, suficientemente plástica para significar muita coisa e nada ao mesmo tempo.
É assim que os artistas gostam, não é?
O primeiro título provisório era péssimo, acertaram à segunda.
We are talking about fears, colours and passions. We are getting to know each other. We sit on red plastic chairs in front of a cafe. I’m drinking beer from a bottle I took from the opening of the exhibition across the street. It tastes strange; I check the expiration date – it should still be fine. I like the bottle; you can’t buy such small beers in Austria. You’re drinking coffee, and I wonder how many you’ve had today. I mostly know you with a cup in your hand.
It’s early evening; once the sun goes away, it will get cold. I flex my toes into a fist, I press my hands between my thighs. We observe the people in front of the gallery from a safe distance, we talk about the tightness with which we both struggle. There’s a lot of smoking, the small bottle has now become our ashtray, my stubbs on the ground, which
I have carefully laid into a pile, can now be disposed of.
We are talking about fears, colours and passions. We are getting to know each other.
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Bios
Lorenz Helfer
Nasceu em 1984 em Hohenems, vive e trabalha em Bregenz e Viena.
Estudou pintura entre 2002 e 2007 na Universidade de Artes Aplicadas de Viena, com Wolfgang Herzig e Johanna Kandl.
Desde então, realizou inúmeras exposições individuais e colectivas, tanto na Áustria como no estrangeiro. Ilustrou vários livros. Fez residências artísticas internacionais em Paliano (2009, 2022), Lisboa (2010), São Paulo (2014), Bilbau (2016), Petőmihályfa, Hungria (2025, em cooperação com a Galerie Krinzinger) e no Porto (2025, em cooperação com a Galeria do Sol).
O seu trabalho artístico valeu-lhe várias distinções: em 2015 o Prémio de Incentivo do Vorarlberg, em 2019 o Prémio de Arte Hubert-Berchtold, e em 2021 a Bolsa de Arte da Cidade de Bregenz. Em 2024 foi nomeado para o Prémio de Arte do Vorarlberg, na categoria de Desenho.
Exposições individuais selecionadas (assinaladas com *) e participações:
2026: AIR 2025, Galerie Krinzinger, Viena; Artdepot Innsbruck; Galerie in der Badstube, Wangen; GalerieZ, Hard
2025: Galerija Kranjčar, Zagreb*; Artdepot Innsbruck*; Sofia Art Fair (com Artdepot); Literaturhaus Stuttgart; Performance WGN, Bregenz*; Galeria do Sol, Porto
2024: ORF, Dornbirn; GalerieZ, Hard; Bregenzer Sparkasse*; Kunstmuseum Singen; Künstlerhaus Bregenz
2023: Kosmos Atelier, Bregenz*; Parallel Editions, Viena; Art Vienna; Fair For Art Vienna (todas com Artdepot)
2022: Artdepot Innsbruck*; Parallel Vienna (com Artdepot)
2021: Galerie 9und20, Bregenz*; Kosmos Atelier, Bregenz*
2019: Galerie c.art, Dornbirn; Gotisches Haus, Leutkirch*; Kollektiv, Bregenz*
2016: Bilbao Arte*; Xhibit, Viena
2015: Swarovski Crystal Worlds, Wattens*; Galerie Hollenstein, Lustenau*; Bezirksmuseum, Viena
2009–2013: ORF, Dornbirn*; Le Meridien, Viena*; MOTOR, Lisboa*; Künstlerhaus Bregenz
2007–2008: Galerie Lisi Hämmerle, Bregenz; Vienna Fair; Galerie Ranalter Innsbruck*
Vítor Israel
Nasceu no Porto em 1983, onde vive e se arrasta há já alguns anos. Estudou pintura na Faculdade de Belas-Artes da mesma cidade, foi aluno de meia dúzia de profes sem interesse nenhum - salvo uma ou outra honrosa excepção.
É membro da Rua do Sol desde 2015, de vez em quando convida malta para fazer exposições, tapa buracos nas paredes, pinta-as de branco, varre o chão.
Na última década e meia desenvolveu a sua prática artística como pôde e quando pôde. Participou em várias exposições individuais e colectivas em espaços diversos; projectos independentes, galerias comerciais, casas semi-devolutas, às vezes coisas mais ou menos institucionais.
Sofre de depressão às segundas-feiras (na melhor das hipóteses), síndrome do abandono, considera-se um "falso-pintor" e tem que fazer muitas coisas de que não gosta por motivos de sobrevivência. É um consumidor ávido de água das pedras e meias de leite, a sua carreira parece um meme.
Entre ataques de pânico, ansiedade generalizada, gestão de conflitos, pensamento ruminativo, valium, rivotril, doses exageradas de cafeína e cigarros, prato do dia num tasco qualquer (que luxo!), por vezes lá encontra tempo e cabeça para fazer as suas coisitas, o seu trabalho criativo.
Gosta de colorir, repete-se imenso.
Lida mal com o envelhecimento e com a ideia de que um dia vai morrer. Adorava ter o atelier em casa e ir ao Japão.
Toma banho todos os dias, preferencialmente ao acordar. Os seus produtos de higiene favoritos - dos quais não abdica - são: o desodorizante Sanex (roll on 0%), o gel de banho Lactovit (recomendado por 9 em cada 10 dermatologistas), o champô H&S (classic) e a pasta dentífrica Colgate (maximum caries protection).
Nunca fez terapia apesar de já lhe ter sido recomendada inúmeras vezes. "É muito caro" diz ele, "não tenho forma de pagar". O mesmo se aplica às idas ao dentista.
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